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A arte de sentir é a capacidade de se expressar.

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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Como uma maldição

Teu bilhete falso e esperançoso me consumiu desde o primeiro dia sobre o chão daquela sala. Eu relutava em reler, mas apenas lia, desestia e relia.Não quis enfeitar mais o meu desprezo, não mais do que o anseio de te ter de volta já me dominava.Eu sentava à porta com uma ou duas folhas nuas, prontas para serem palpadas por mãos alheias, mas tuas palavras eram as únicas a serem lidas,desprezadas e relidas.
A rua ficou vazia depois de alguns meses e tua luz jazia fria assim como minha cama e o armário mofado no canto do quarto escuro. Os longos meses me trouxeram de volta o senso de escolher e foi naquela manhã de verão que o tempo tomou seus custos mesmo quando eu tinha uma nova aliança em mãos.

TOC TOC - era apenas mais uma manhã de calor.

-Oi. - era apenas aquele mesmo sorriso cansado, as mesmas malas pesadas e as mesmas palavras gastas. - Posso entrar?

As mesmas que mentem o tempo todo.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Eu só brinquei.

Teu peito nu ofegante descompassava meu ritmo peregrino.
Eu cambaleei pelas tuas palavras incessantes que me imploravam a ficar.
Foi difícil esquecer as marcas da barba rala em torno dos lábios.
Quem era aquele homem de peitos ao ar que carregaria meus fados descompromissados?
Não, não era você a quem eu quis amar.
E não, eu não quis te ter para sempre.
Nosso sangue humano é traidor.
E eu adoro me trair.


sábado, 4 de maio de 2013

Jogo branco

Te perder foi espontâneo e injusto.
Não culpo a distância como a vilã de nossa saudade.
Não quero achar o culpado dessa vez.
Quem sabe uma história sem culpado fica ilesa de um trauma?


domingo, 14 de abril de 2013

Julgamentos

Desfaço meu mundo a todo tempo.
Sozinha, sempre à espera da noite em qualquer canto lunar.
Com ela e com meu mundo desfeito, não finjo ser forte;só preciso ser.
Eu me desfaço a todo tempo.
Com o peso de minha existência e com a solidão do mundo coletivo.
Foto: Taís Pinheiro

terça-feira, 9 de abril de 2013

Sonho universitário


Roupas ao chão e papéis à mesa.
Desordem ao mundo, caos à vida.
Sonho ao trauma, desespero à esperança.
Tornar um sonho em realidade não significa abraçar uma satisfação amiga.


sábado, 9 de março de 2013

Biotério

Quero o peso da desordem fora de minha solidão.
Crescer é uma incerteza de abandono.
Você mata a imaturidade e cria o receio.

domingo, 3 de março de 2013