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A arte de sentir é a capacidade de se expressar.

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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Quando eles voltam

Ele entrou, como quem não tivesse guardado lembranças de um lugar antes tão comum.
Me parecia um estranho, mas um recém encontrado de um amigo distante.

- Você mudou os móveis.

Seu rosto fino, mais maduro, parecia descompassado com o desgaste do tempo.

- Senti sua falta.

E sua passada o pôs a centímetros de meus olhos recém-abertos.

- Você sentiu a minha?

Parecia tão impróprio.

- O que te trás aqui?

- Você.

- Eu nunca fui uma causa.

E, calmamente, suas mãos contornaram as curvas que antes eram comuns, mas que agora eram estranhas e não próprias.

- O que você tem feito por aí?

0 toque daquela barba rala me desarmou por puro luxo da tentação e aquele sabor seco do beijo interesseiro me desfez em duas.

- Eu quero você.

As mãos cansadas caíram sobre os seios que reagiram felizes ao toque.

- Não, por favor.

Mas já era tarde.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Como uma maldição

Teu bilhete falso e esperançoso me consumiu desde o primeiro dia sobre o chão daquela sala. Eu relutava em reler, mas apenas lia, desestia e relia.Não quis enfeitar mais o meu desprezo, não mais do que o anseio de te ter de volta já me dominava.Eu sentava à porta com uma ou duas folhas nuas, prontas para serem palpadas por mãos alheias, mas tuas palavras eram as únicas a serem lidas,desprezadas e relidas.
A rua ficou vazia depois de alguns meses e tua luz jazia fria assim como minha cama e o armário mofado no canto do quarto escuro. Os longos meses me trouxeram de volta o senso de escolher e foi naquela manhã de verão que o tempo tomou seus custos mesmo quando eu tinha uma nova aliança em mãos.

TOC TOC - era apenas mais uma manhã de calor.

-Oi. - era apenas aquele mesmo sorriso cansado, as mesmas malas pesadas e as mesmas palavras gastas. - Posso entrar?

As mesmas que mentem o tempo todo.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Eu só brinquei.

Teu peito nu ofegante descompassava meu ritmo peregrino.
Eu cambaleei pelas tuas palavras incessantes que me imploravam a ficar.
Foi difícil esquecer as marcas da barba rala em torno dos lábios.
Quem era aquele homem de peitos ao ar que carregaria meus fados descompromissados?
Não, não era você a quem eu quis amar.
E não, eu não quis te ter para sempre.
Nosso sangue humano é traidor.
E eu adoro me trair.


sábado, 4 de maio de 2013

Jogo branco

Te perder foi espontâneo e injusto.
Não culpo a distância como a vilã de nossa saudade.
Não quero achar o culpado dessa vez.
Quem sabe uma história sem culpado fica ilesa de um trauma?


domingo, 14 de abril de 2013

Julgamentos

Desfaço meu mundo a todo tempo.
Sozinha, sempre à espera da noite em qualquer canto lunar.
Com ela e com meu mundo desfeito, não finjo ser forte;só preciso ser.
Eu me desfaço a todo tempo.
Com o peso de minha existência e com a solidão do mundo coletivo.
Foto: Taís Pinheiro

terça-feira, 9 de abril de 2013

Sonho universitário


Roupas ao chão e papéis à mesa.
Desordem ao mundo, caos à vida.
Sonho ao trauma, desespero à esperança.
Tornar um sonho em realidade não significa abraçar uma satisfação amiga.


sábado, 9 de março de 2013

Biotério

Quero o peso da desordem fora de minha solidão.
Crescer é uma incerteza de abandono.
Você mata a imaturidade e cria o receio.